Dino afirma que golpe de 1964 não matou no primeiro dia, mas centenas nos anos seguintes
O ministro Flávio Dino, do STF, afirmou no seu voto sobre a denúncia da trama golpista de 2022 que o golpe de 1° de abril de 1964 não matou pessoas no primeiro dia, mas centenas de pessoas forma mortas nos anos seguintes.
“Golpe de estado é coisa séria. É falsa a ideia de que um golpe de Estado, ou uma tentativa, porque não resultou em mortes naquele dia, é uma infração penal de menor potencial ofensivo ou a excluir a atipicidade dos delitos. Isso é uma desonra à história nacional. A famílias que perderam familiares”, disse o ministro ao acompanhar o relator para tornar réus Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete denunciados envolvidos na acusação em análise nesta quarta-feira (26).
Dino diz que havia armas na trama golpista porque todos os militares andam armados
O ministro Flávio Dino afirmou durante o julgamento da trama golpista que faz sentido a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República) de que a organização criminosa estava armada pelo fato de militares das Forças Armadas andarem sempre armados.
“Lembro que muitos desses participantes eram policiais e membros das Forças Armadas. Esses só andam armados. Eu não conheço um que não ande armado, seja da ativa quanto os já reformados. Todos andam armados”, disse.
“Há alguns que são mais apaixonados pelas armas do que pelos seus cônjuges. Dormem com as armas debaixo do travesseiro, dormem com as armas na cama, ao lado da mesa de cabeceira, transportam para onde vão. Eu fui governador de um estado e fui ministro da Justiça, e essa é a realidade.”
Folha/UOL
Foto: Rosinei Coutinho/STF